Apresentação

A Mostra Cinemas do Brasil apresenta um panorama de curtas-metragens, em sua maioria, documentários que buscam homenagear os cinemas de rua do país e que propõem uma discussão sobre a atual situação desses monumentos arquitetônicos que, em grande parte, estão de portas fechadas e sem nenhum tipo de reparo ou manutenção. A mostra temática tem por objetivo tornar os cinemas de rua os protagonistas das histórias na tela. A abertura da mostra, que pretende se expandir por todo território nacional, será no período de 21/02/2019 a 26/02/2019, no Cine Olympia em Belém do Pará, pela sua importância histórica, sendo este o mais antigo cinema de rua do país em funcionamento. Em seguida, será a vez do Cinema Rio Branco, de Nazaré no recôncavo baiano, receber a programação da mostra no período de 19/03/2019 a 22/03/2019.

A mostra é coordenada por Eudaldo Monção Jr. (Memorabilia filmes) e o projeto tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, através da contemplação da proposta na 4ª Chamada do edital de intercâmbio e mobilidade artística. Os filmes da mostra contribuem para o debate sobre a situação das salas de exibição cinematográfica, cujos prédios que ainda estão em funcionamento, enquanto cinemas nas ruas, resistem nas calçadas da cidade, sobrevivendo aos impactos das mudanças que sofreram para se manterem vivos na configuração do espaço citadino. A edificação, sustentação, reformulação e destruição dos cinemas de rua, cultiva possíveis relações estruturais com determinadas disposições físicas e modelos de vida social. Os cinemas de rua podem ser, assim, encarados como formas espaciais de apropriação da própria cultura na cidade, onde tais estruturas materiais podem assumir, no decorrer de sua trajetória de existência, as feições de sujeitos não-humanos ou objetos-humanizados; gerando implicações significativas sobre a memória e a vida de comunidades e indivíduos.

Esses espaços culturais acompanham a sobrevivência, a revitalização ou a degradação de certas áreas urbanas. Serão exibidos exatamente vinte e três curtas e um longa-metragem, que encerrará a mostra. Tais trabalhos são representantes de diferentes regiões do país e cumprem um papel de expressar, sob a perspectiva do cinema, o perfil tão peculiar e complexo de um Brasil em transe, em confronto com eventos de caráter histórico - político, econômico e cultural.Isto permite a ampliação de discussões acerca do tema e possui a capacidade de revelar trabalhos de qualidade e importância singular contidas nas diferenças regionais dos “brasis”, entre outros fatores. Trata-se de trabalhos extremamente criativos do ponto de vista da linguagem e da estética das artes cinematográficas. Neles, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, Bahia, São Paulo, Paraná, Alagoas e o anfitrião Pará são meros lugares, espaços comuns para histórias surpreendentes se entrecruzarem, para imagens e sons construírem novamente tudo aquilo que era dado perdido, como um triste fim. Os depoimentos se complementam para narrar um passado e um presente vivo para que possamos ver: o cinema resistiu a tudo. Mas lança-se, também, um esboço questionador de um pensamento para o futuro, que nos encoraja a pensar: o que será do cinema?

Teremos um arsenal de sentimentos, reflexões sobre o que é o espaço da cidade e da propriedade privada. Veremos como os avanços tecnológicos e da técnica mudaram os caminhos e o modo com a sociedade inclina seu comportamento. A memória, a nostalgia e um olhar à frente na tarefa da reconstrução e da força política transformadora, encontram-se em cada um desses trabalhos, seja nas falas de antigos projecionistas de um cinema que não existe mais ou nas ações cineclubistas de bairros e pequenas cidades como uma nova forma de enxergar o cinema, hoje.

Após o exímio trabalho da curadoria composto por Christian Jafas (Diretor do filme Cine Paissandu: Histórias de uma geração) e Eudaldo Monção Jr. (Coordenador da Mostra Cinemas do Brasil e diretor do filme Cine Rio Branco), chegamos a falada lista dos vinte e quatro filmes capazes de sintetizar o que a mostra tem a proporcionar:

Cine Rio Branco - Eudaldo Monção Jr.- Nazaré/BA

Cine Centímetro - Dannon Lacerda - Valença/RJ

Extintos Cinemas - William Tenório - Sertão do Pajeú/PE

Memórias do Cine Argus - Edivaldo Moura - Castanhal/PA

Uma balada para Rocky Lane - Djalma Galindo - Arcoverde/PE

Cine Rincão - Fernando Grostein Andrade - São Paulo-SP

O que se memora - Caio Dornelas e Ernesto Rodrigues - Zona da Mata/PE

Cinemas de Rua de Curitiba - Roberval Machado - Curitiba/PR

Cine Paissandu: histórias de uma geração - Christian Jafas - Rio de Janeiro/RJ

Cine S. José - William Tenório - Afogados da Ingazeira/PE

Cine Vaz Lobo - Luiz Claudio Lima - Rio de Janeiro/RJ

Cine Brasília - Boca Migotto - Carazinho/RS

Cinema, Onde Você Está? - Edvaldo Santos - Caruaru/PE

Cinema do Meu bairro, cadê você? - Renata Lima - Rio de Janeiro/RJ

Cosmorama - Relatos dos cinemas em Caruaru - Moema França - Caruaru-PE

Sessão entre amigos - Cristhine Lucena - João Pessoa- PB

Cine Éden - Edson Bastos e Henrique Filho - Ipiaú/BA

Casa sem janela - Juliette Yu-Ming, Marcelo Engster, Vitor Kruter - Rio de Janeiro/RJ

Entre Andares - Aline Van der Linden e Marina Moura Maciel- Recife/PE

Cine São Vicente - Kleber Camelo - São Vicente Férrer/PE

Victor vai ao cinema - Albert Tenório - Olinda/PE

Isso Vale um filme - Bruna Cabral, Gisele Siqueira, Italo Rodrigues, Suednes Teixeira, Taynah e Wellington Caetano - Maceió/AL

A Morte do Cinema - Evandro de Freitas - Cachoeira/BA

Cine São Paulo - O Estado das coisas - Ricardo Martensen, Felipe Tomazelli - Dois Córregos/SP

Programação

  • 22/03/2019 - 18:00 - Sessão 1 - UFF Campos
  • 29/03/2019 - 18:00 - Sessão 2 - Espaço Cultural Colaborativo Santa Paciência
  • 05/04/2019 - 18:00 - Sessão 3 - Associação Imprensa Campista
  • 12/04/2019 - 18:00 - Sessão 4 - Casa de Cultura Villa Maria
  • 16/04/2019 - 18:00 - Sessão 5 - IFFluminense campus Campos Guarus